quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cartão de crédito do Grande Dirceu não funciona como o esperado

Amanda Leite
Márcia Bonfim

Em agosto de 2009 a Associação de Moradores do Itararé (AMI) lançou a ideia da criação do cartão de crédito próprio do bairro Dirceu. A criação de um cartão para o bairro surgia como um projeto pioneiro na região Nordeste e segundo no país.

Tudo começou porque o presidente da associação de moradores Scheyvan Lima estava preocupado com o alto número de desemprego no bairro. Sheyvan informou que a associação funciona como um banco de currículos onde as pessoas do bairro procuram um apoio para conseguir emprego. “Enquanto outras associações estão preocupadas com coisas básicas a AMI quer resolver outras coisas também sérias, daí tive a idéia de criar uma coisa que pudesse empregar esse povo todo”, disse Sheyvan.

O primeiro passo foi encontrar uma empresa de cartões que aceitasse a proposta inovadora, a que se encaixou no perfil foi a Convênios Card de São Paulo, empresa essa que atua em alguns estados das regiões Nordeste e Sudeste. “Foi a que mais se mostrou confiante e a gente aceitou trabalhar em parceria com eles”, disse Scheyvan. Outras empresas procuraram a AMI querendo fazer parceria, mas segundo Sheyvan as exigências eram muito altas “o Visa me pediu a garantia de 100 mil cartões aprovados, eu não tinha como dar essa certeza, com o Comercial Carvalho não tinha como fechar porque eles pedem muita coisa em contrapartida”, acrescentou.

Para ter um cartão a pessoa interessada passaria por uma análise de crédito, sendo o crédito facilitado já que seriam desconsideradas negativações por telefone, água, luz e moradia. Os limites variavam de R$ 80,00 a R$ 800,00, dependendo da renda de cada pessoa.

Qualquer pessoa poderia ter um cartão “grande Dirceu” desde que usasse no bairro ou em alguma empresa que tivesse ligação com o bairro. O sistema usado é o mais simples, garantindo assim que qualquer estabelecimento pudesse recebê-lo. “Até o seu Raimundo da quitanda podia receber bastava ter uma linha telefônica convencional, e o bom é que nem precisava ter CNPJ, podia ser cadastrado só com o CPF”, declarou Sheyvan afirmando as facilidades que o cartão poderia trazer aos comerciantes.

Foram cadastradas cem pessoas para trabalharem nas ruas na venda dos cartões, assim como seria possível solicitar um nas empresas que o recebiam. De cada cartão aprovado a associação receberia R$ 2,50 dos quais R$ 2,00 seriam passados para a pessoa que trabalhou na venda deste.

Os problemas começaram a aparecer quando eram enviados os cadastros para São Paulo e poucos voltavam, ou seja, de cada 200 cadastros enviados em média 20 voltavam em forma de cartão aprovado. “Creio que a empresa não suportou a demanda”, resume o presidente da AMI que informou que várias vezes tentou negociar o contrato com a operadora do cartão.

Outros problemas surgiram com tempo, como o atraso das faturas dos clientes ou mesmo o não recebimento das mesmas. “Meu medo era que as empresas não recebessem os repasses pelas vendas feitas, mas até agora não recebi nenhuma reclamação”, concluiu o presidente da Associação de moradores do Itararé.

Atualmente cerca de dois mil cartões estão em uso no bairro e até fora dele e pode ser recebido nos mais variados estabelecimentos, passando da farmácia ou mercadinhos a pastelarias, salões e bicicletarias.

Tudo sobre cartão de crédito

A Associação Brasileira das Empresas de Crédito e Serviços (Abecs) dá dicas de como utilizar o cartão de crédito de forma consciente e todas as informações do setor.

http://www.abecs.org.br/novo_site/

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